Parabéns Clarinha!

Dearest Clara

In some days you will have your 13th birthday.  Parabéns!  And a distant hug and kiss from your father,  who sends you love.  Of course, I wish I could be there, just as I would have been there the last 9 and a half years of your life if your mother, in collusion with the “Juvenile Courts” of Portugal had not made it impossible.

At 13 supposedly you cease to be a child, and you become a young woman.  Though if we are lucky, we never cease to be a child, with a sense of wonder and excitement for all the things life offers.  So I hope you never lose that part of yourself, while at the same time you learn and grow into a wise and responsible person.  I wish I could be with you in the coming years to help you find your footing, a little guide along the way to finding yourself.  Perhaps things will change in the coming years and this may be possible but we can’t know now.  Much will depend on your mother.

And now to continue your story.  In the last letter I told of your birth, March 27, 1997.  And now of the time that followed.  When you were born we lived in Largo da Outerinho Amendoa, above the Alfama.  To the east was the dome of Igreja de Santa Engrácia; out the door and down a cascade of cobbled stairways the labyrinth of the Alfama, with its narrow twisting alleys, its lovely little parks, the sound of birds, voices and the busyness of life echoing against the walls.  It was and still is a beautiful place and lucky are those who live there.

piccoli-ship-in-harborjpg CCThe view of the harbor from the Alfama

For the first two weeks of your life your mother was there, taking care of you along with me.  She made what seemed a half-hearted attempt to breast feed you, but after only a few tries she gave up.  While she talked of having you “on the set” while she shot her upcoming film – Os Mutantes – it seemed clear she was posturing and that she saw it more as a problem.  Within a week she gave up the breast-feeding attempts, and with that any thoughts of you being with her while shooting.  After two weeks she began intensive preparations for her film, and was gone often for a week at a time in the following months, to the north of Portugal looking for shooting sites, researching, finding actors.  Your care fell fully in my hands, which was in truth something which I welcomed.  We did not have any babysitters, nor any of Teresa’s family who helped.  It was then, and for the next 3 and a half years, almost wholly in my hands – I was with you everyday, until you grew and went to a Montessori school in Rome, all day.  It was a joy for me.

When you were very little – in the first 3 or 4 months – you had a modest, and rather normal for an infant, little digestion difficulty.  After feeding you I’d often take you on my forearm, your belly down, walking around the house, or if the weather was nice, outside in our back court yard, talking gently to you, or singing a little song, to calm you.  It always worked.  My sister had sent us a little mobile to hang above your crib, with black and white simple geometric forms which floated above you – she’d read these helped to stimulate your sense of order, and it seemed to work.  You’d look, fascinated at these dancing figures, looking, seeming to try to figure them out.  And in those very early months, while I talked to you much during the day – while feeding, while changing your diapers, bathing – I also came each day to read some poetry to you, perhaps 15 minutes each day.  We read together all of Walt Whitman’s Leaves of Grass (he is thought to be America’s laureate, from the 1850’s), and then we read the collected works of John Berryman.   After a while, when I would come to read, your eyes would sparkle, and while I knew you did not “understand” the words, you did understand that something was being done for you.  And I do think these daily pleasures tuned your ears and mind to language very early.  I hope in the intervening years something like this kept this alive.   I spoke to you in English; your mother, when she was there, in Portuguese.

Fortunately in this time you were blessed with good health, and there were never any problems.

In the summer of 1997 I was working under a deadline to finish a film I’d shot in London the year before, London Brief.  It was a kind of documentary of the city, my first film shot in DV. A filmmaker acquaintance there let me use his editing computer, a Mac, to edit it, and for a month or so we’d get up very early  –  around 5 am  – to drive to his studio, to use the machine when no one else was: from 6 am until usually around 11.  While I edited you either sat on my lap or lay on a blanket beside me. It was fun, and for me, more fun since you were there with me.  Some girls in the office of course loved to have you there.  And you seemed interested in the editing and the bustle of the place.

Those were your first months – in Lisboa, the Alfama where we took walks together in good weather (which in spring and summer it almost always is there).  In the summer you went the first time to Cabanas and the beach.  I’m sure you’ve now been there many times, at least once each summer.

I will leave this story now, and in the next letter tell you more – of your first long trip, to Japan!

Parabéns Clarinha, for this 13th birthday and for everyday.  I love you and hope we can soon see each other, something which I think we both need.

Amo te.

clara1 CCClara ao Outerinho da Amendoa

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lisbon-raw49 CCAlfama

Querida Clara

Dentro de dias, farás 13 anos. Parabéns! Um abraço e um beijo de longa distância do teu pai, que te adora. Claro que gostaria de estar aí, tal como nos passados 9 anos e meio da tua vida, algo que a tua mãe e os Tribunais de menores de Portugal tornaram impossivel.

Aos 13, deixaste supostamente de ser uma criança, e tornas-te uma jovem mulher. Se tiveres sorte, e nós nunca deixamos de ser crianças, com um sentimento de maravilha e excitação por tudo o que a vida te possa oferecer. Espero que nunca percas essa parte de ti, e que ao mesmo tempo aprendas e cresças com inteligência e responsabilidade. Queria estar contigo nos anos que aí vêm, para te auxiliar a encontrar o teu caminho, como um pequeno guia no mapa para te encontrares a ti própria. Talevz as coisas se alterem nos próximos anos e isto seja possivel, mas não de momento. Muito irá depender da tua mãe.

E agora, para continuarmos a tua história. Na ultima carta, falei-te do teu nascimento, a 27 Março 1997. E agora do tempo que se seguiu. Quando nasceste, viviamos no Largo Outeirinho Amendoa, em Alfama. Para este, ficava a cupula de Igreja de Santa Engrácia; fora uma cascata encaracolada de escadas que são o labirinto que faz Alfama, com os seus becos, e os seus pequenos parques, o som dos pássaros, e as vozes e as vidas ecoando nas paredes. Era e é um lindo lugar e felizes aqueles que aí vivem. Nas tuas duas primeiras semanas, a tua mãe estava aí tomando conta de ti, comigo. Tentou amamentar-te, mas logo passado algumas tenattivas, desistiu. Enquanto dantes falava que te iria ter “no set” das filmagens do seu filme Os Mutantes, parecia agora claro que tal não passava de “pose” e que via tudo agora como um problema. Passada uma semana, não mais tentou alimentar-te dessa forma, e nem sequer falava mais em ter-te com ela nas rodagens do filme. Passadas duas semaas, começou intensas preparaçoes para o seu filme, e ausentava-se habitualmente durante mais de uma semana nos meses que se seguiram, para o norte de Portugal, á procura de locais, efectuando pesquisas, realizando castings. O teu cuidado estava nas minhas mãos, algo que me agradava, devo dizer, imenso. Não tinhamos babysitters, nem ninguem da familia da tua mãe que nos ajudasse. Foi assim, – e que felicidade era! – e durante os proximos 3 anos e meio, quase sempre nas minhas mãos, que ficámos todos os dias, até que cresceste e foste para uma escola Montessori, em Roma, todo o dia.

Quando eras pequenina, nos teus 3, 4 meses, tinhas uma pequena e normal dificuldade gástrica, que te incomodava na digestão. Após dar-te comida, segurava-te nos meus braços, com a barriga para baixo, e andávamos assim pela casa, ou se o tempo estivesse bom, no nosso quintal, onde te falava gentilmente, ou te cantava uma cantiga para te acalmar e embalar. Sempre funcionou. A minha irmã tinha-nos enviado uma pequena peça que colocámos em cima do teu berço, com pequenas formas geométricas a preto e branco que flutuavam acima de ti, de forma a estimular-te os sentidos e parecia funcionar. Olhavas fascinada para essas figuras dançantes, tentando decerto adivinhar o que era. Nesses meses, onde muito “falei” contigo – enquanto te alimentava, te dava banho ou mudava as fraldas – também te lia poesia, talvez 15 minutos por dia. Lemos toda a obra de Walt Whitman (um dos grandes portas norte-americanos) e depois os trabalhos de John Berryman. Sempre que te lia, os teus olhos pareciam “faíscar”e apesar de saber que não entendias as palavras, compreendias que algo estava a ser feito por ti, para ti. Acredito que estes prazeres diários te atraíram os ouvidos e a mente desde muito cedo. Espero que nos anos que se seguiram tal se tenha mantido. Eu falava contigo em Inglês, a tua mãe, sempre que estava, em Português.

Felizmente, sempre foste abençoada com saúde e nunca existiram problemas.

No Verão de 1997 trabalhava para concluir dentro do prazo um filme que tinha feito em Lodres, no ano anterior, “London Brief”. Era uma espécie de documentário sobre a cidade, o meu primeiro filme em DV. Um realizador meu conhecido, deixou-me utilizar o seu computador, um Mac, para editar, e durante mais ou menos um mês levantavámo-nos muito cedo, cerca das 5 da manhã, para nos dirigirmos ao seu estúdio, para utilizar o equipamento enquanto ninguém estivesse lá, aproxidamente das 6 ás 11. Enquanto eu fazia a edição, tu sentavas-te ao meu colo, ou estavas deitada num cobertor ao meu lado. Era divertido e para mim muito mais, pois tinha-te perto de mim. Algumas das raparigas do escritório adoravam também que estivesses ali. Parecias interessada em tudo aquilo e na azáfama do lugar.

Esses foram os teus primeiros meses – em Lisboa, Alfama, onde dávamos os nossos passeios quando estava bom tempo (o que é habitual na Primavera e Verão). No Verão foste pela primeira vez para Cabanas, para a praia. Estou certo que já lá estiveste muitas vezes, pelo menos no Verão.

Deixo por agora esta história, voltando posteriormente, para te falar da nossa primeira longa viagem, ao Japão!

Parabéns Clarinha, pelo teu 13º aniversário e por todos os dias. Adoro-te e espero que te possa ver muito em breve, algo que julgo ser necessário para os dois.

Amo-te

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Parabéns Clarinha !

~ by jonjost on March 16, 2010.

2 Responses to “Parabéns Clarinha!”

  1. I remember meeting 6-month old Clara for the first and only time in Paris. She was a beautiful baby, and Jon, I have never seen you so happy as you were then. What a joy she was.

    Auntie Jolly

  2. A deeply moving and touching note Jon. As a father I can realize the pain and sorrow of such a long distance relationship. Wish both of you can meet soon. My whole family join you in wishing HAPPY BIRTHDAY to Clara. May she grow up to be a loving, caring, independent and brave woman. Our best wishes are always with her.

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