Lettera #7 – Lisboa

10 Julho 2010

Querida Clara

Há alguns dias, estivemos na Rua do Seculo, à tua procura e do local onde vives. Não reconheci o sitio, e fomos até ao Principe Real, esperando talvez que aí estivesses. Era, confesso, uma pequena esperança, pois imaginei que a tua mãe, sabendo da minha deslocação a Lisboa, programada na Cinemateca e no meu blog, certamente te afastaria destes locais.

Na noite de 10 Julho, fomos novamente ao mesmo edificio, embora incertos da sua localização, e íamos embora, até que Marcella viu a tua mãe saindo da pastelaria perto da Rua do Século. Com essa oportunidade, seguia-a, enquanto ela falava ao telemóvel e entrou no nº 157. Esperámos algum tempo, pensando se iríamos tocar à campainha, e certamente caso isso sucedesse, a tua mãe negaria a tua presença nesse mesmo local. Pensei então talvez que também não te encontrasses nesse local – estarias talvez no Algarve ou noutro local de Lisboa. Fui outra vez até ao Principe Real, e nessa altura, Marcella viu um homem, de cabelo curto, tatuado, aparentemente nervoso. Esse mesmo homem fez uma chamada pelo telemovel e a tua mãe desceu, entrou no carro que ele conduzia, levando consigo papéis e agendas. Eles seguiram.
Quando eu retornei a esse mesmo local, esperámos mais algum tempo, e então Marcella tocou à campainha. Uma mulher respondeu e Marcella disse: “Clara”. A porta abriu-se e nós subimos até ao 2º andar, onde uma jovem nos disse não entender nada, quando lhe perguntámos por ti, Clara Villaverde. Depois, Marcella perguntou se Teresa Villaverde vivia nesse mesmo local ao que a mulher respondeu que ela residia no ultimo piso, onde estava um grande cão, que curiosamente ladrava de forma imensa quando nós nos encontrávamos na rua.

Fomo-nos embora, esperámos mais algum tempo na rua, esperando talvez que tu regressasses a casa. Escrevi então uma carta para ti e coloquei debaixo da porta. Partimos, tristes por estarmos assim tão perto, e esperando muito por te ver, apesar de sabermos ter curtas hipóteses. Mais tarde, pela noite, passámos por aí novamente, vislumbrámos a carta no mesmo sitío e não existia iluminação alguma no prédio.

A tua mãe recusou todas as comunicações, o seu numero de telefone não está disponivel, e tenho a certeza que ela sabia da minha presença em Lisboa, podendo então facilmente contactar-me através da Cinemateca. Assim, é da sua inteira responsabilidade não me ter permitido ver-te. Isto tem ela feito durante 10 anos. Lamento isso, pois é algo que te é prejudicial, e claro que para mim é uma tragédia de constante agonia, e também decerto para ti.

Amo-te Clara, e mais uma vez tentei ver-te e falar-te. Decerto que em breve, quando fores livre para fazeres o que quiseres, finalmente nos encontraremos, e gozaremos a alegria que nos tem sido negada nos ultimos 10 anos, com o mesmo amor que animou os primeiros 3 anos e meio da tua vida, quando estive contigo, sempre, e ajudando no teu crescimento.

Amo te, Clarinha

Teu pai, Jon

Your doorway, Rua do Seculo, 157, Lisboa, just down from Principe Real

July 11 2010 Lisboa

Dearest Clara,

A few days ago, we went to Rua do Seculo, to look for you and where you live.  I didn’t recognize the place, and we went to Principe Real, hoping perhaps you would be there.  It was a small hope as I imagined your mother would have sent you somewhere else since it was known through the Cinemateca schedule, and my own blogs, that I would be in Lisboa.

Last night, July 10, we went a last time and again unsure which was the right building, we began to leave, when Marcella saw your mother coming down from the pastelleria above Rua do Seculo.  I followed behind her as she talked on a mobile, and entered # 157.  We waited some time, thinking if we rang the bell, for sure your mother would, if you were there, not let you come to see me, or that perhaps she might even call the police, or some unpleasant friends.  I also thought probably you were not there – perhaps sent to the Algarve or another place in Lisboa.  I went to Principe Real to see if you might be up there,  and while I was there Marcella saw a man with short hair, tattoos, and apparently nervous, come and he called on a mobile from his car and your mother came down with papers and notebooks and they left.  When I arrived we waited some more, and then Marcella rang the doorbell, and a woman’s voice answered and Marcella said “Clara.”  The door buzzer opened and we went to the 2nd piso, where a young woman said she did not understand when I asked if you, Clara Villaverde, were there.  Then Marcella asked if Teresa Villaverde lived there and the woman said she lived on the top floor where a big dog was, as it had barked a lot when we were down on the street.

We then left, and waited some more on the street, hoping perhaps you were going to return home. Finally I wrote a note for you and we put it by the doorbell plaque.  We left, saddened to be so near, and hoping so much to see you, though knowing the chances were small.  Later in the evening, around 11, we passed by again and the note was still there and there were no lights on in the building.

Your mother has refused all communications, her telephone number is not listed, and as I am sure she knew I was in Lisbon, and could easily have contacted me through the Cinemateca, it is fully her responsibility that I could not see you.  She has made it so now for ten years.   I am sorry for that, as it is something which for you is very bad, and of course for me it is a tragedy and source of constant sorrow, for you and for me.

I love you Clara, and again, I have tried to contact you and see you.  Hopefully sometime soon, when you are free to do what you want we might finally meet and have what we properly should have had the last 10 years, the same love which animated the first 3 and a half years of your life, when I was constantly with you, helping you grow.

Amo te, Clarinha

Tue pai, Jon

Amo-te, Clarinha

~ by jonjost on July 15, 2010.

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