Lettera #8

clara27 CCClarinha still in Paris,  1998

clara19crpdc CC

At the beach in Cabanas, summer 1999

Dearest Clarinha

Here it changed suddenly from a hot and nearly tropic summer, to a very brief autumn and now it seems almost winter. All very fast.

About your life I begin again, picking up from before, the seventh letter I wrote.

There we had just moved to Rome, after living in Paris. When we first moved to Rome, I think in January of 1999, we lived in an apartment on via dei Cappocci, a street famous for some things I can tell you about some other day. It is in the center of the city, an area called Monti.  A short walk away in one direction is the big Chiesa Santa Maria Maggiore, and nearby it, the Stazione Centrale, the train station. And in another direction a little piazza, on the corner of via dei Serpenti and via degli Zingari, which we used to go down to almost everyday when the weather was nice to kick around together a soccer ball, and I’d get a cappuccino and cornetto at the cafe. You were very good and the people there enjoyed you, such a little girl able to run and play a little football! We had lots of fun. Also near were places like the market of Traiano and the Forum, which we walked to often – I had bought a nice big carriage for you, one with big wheels that joggers use, which was good on the cobble-stones and stairs of Rome. So we went on long walks and saw many things all around the center of Rome, from piazza del Popolo to the Pantheon, along the Tevere, and to the Colosseo and beyond. You had your second birthday there on via dei Cappocci. During this time I was with you all day, almost everyday. Your mother was off to festivals sometimes with Os Mutantes, or busy writing what would be her next film. When she was there, she would spend about half an hour a day with you, playing or reading to you. And then for her it was back to her work. You were not usually happy when the end of your time with your mother was stopped. I understood – a half hour a day for a little child with her mother is far too little.

We stayed on via dei Cappocci into spring, and in the summer, after we’d spent a month in Cabanas in the Algarve, and visited in Lisboa, we moved to a new, bigger and much lighter apartment in Trastevere.

There I made you a room, building your furniture myself. And there we had another part of the city and new places to go – the big piazza Santa Maria in Trastevere, and further on another park with a playground for children, which we went to often. Sometimes we’d visit a friend of mine, Marco Delogu, a photographer, who had his studio nearby. He didn’t really know how to be with little children and I think you were afraid of him!

On Santa Maria in Trastevere we met some other people, and you had a playmate, Lola, your same age. She lived on the piazza and we would go once or twice a week to her house to have lunch or for you to play together. And that same autumn you began to go to a Montessori school which overlooked the Terme di Caracalla, a beautiful place. You liked it there, and quickly, surrounded with children who only spoke Italian, you learned that language and began to speak it: at the young age of 2 and a half you were speaking English and Portuguese and Italian. And all very well. I was jealous!

So I will leave it here for now, dear Clara, and tell you more later.  This week I go to India, and I will send you some pictures from there.

I hope the autumn in Lisboa has been as beautiful as I remember them.

And I hope you are happy and doing well in school. And I hope I will be able to see you soon.

I love you, Clara.

Your father,

jon

 

clara2crpd CC

clara8crpdc CCClara in our apartment on via dei Cappocci, Roma

Querida Clara

O tempo aqui passou de um Verão quase tropical e bastante abafado, para um Outuno breve, e agora que parece estarmos em pleno Inverno. Tudo muito rápido.

Sobre a tua vida, recomeço onde acabámos a 7ª carta.

Tínhamos acabado de mudar para Roma, depois de deixarmos Paris. Na primeira vez que nos mudámos para Roma, creio que em Janeiro de 1999, vivemos num apartamento da via dei Cappocci, uma rua famosa por alguns motivos que te explicarei mais tarde. É no centro da cidade, numa área chamada Monti. Andando um pouco fica a grande Igreja de Santa Maria Maggiore, e perto, a Stazione Centrale, a estação de comboios. Numa outra direcção, uma pequena praça, no canto da via dei Serpenti e a via degli Zingari, que descíamos todos os dias quando o tempo era convidativo para irmos jogar um pouco á bola, enquanto também aproveitava para tomar um capuccino ou um gelado no café.

Tu portavaste-te muito bem e toda a gente gostava imenso de ti, uma pequena rapariguinha a correr e a jogar á bola! Tínhamos momentos excelentes e divertíamo-nos muito. Perto, tínhamos o mercado de Traiano e o Forum, nos quais andávamos – tinha comprado um carrinho para ti, com grandes rodas, muito útil diga-se numa cidade como Roma, com escadarias e empedrados.

Fazíamos pois grandes caminhadas e víamos muito do centro de Roma, da piazza del Popolo ao Pantheon, ao longo do Tibre, bem como o Colosseo. Fizeste o teu segundo aniversário, e passeámos nesse mesmo dia ao longo da via dei Cappocci. Durante todos este tempo, estive contigo praticamente a cada dia, todos os dias. A tua mãe viajava entre festivais, a exibir Os Mutantes, ou apenas ocupada a escrever o seu próximo filme. Sempre que ela estava, passava mais ou menos meia hora contigo, a ler-te ou a brincar contigo. E depois, regressava ao seu trabalho. Não ficavas, claro, feliz, quando acabava o teu “tempo” com ela. Eu compreendia isso, meia hora por dia para uma pequena criança com a sua mãe é o mesmo que nada.

Ficámos na via dei Cappocci durante a Primavera, e no Verão, passámos um mês em Cabanas, no Algarve, visitámos Lisboa e mudámos para um novo e maior apartamento em Trastevere.

Fiz-te um quarto, construíndo eu mesmo a mobília. E tínhamos pois uma nova parte da cidade e novos locais para visitar – a grande piazza Santa Maria em Trastevere, ou um outro parque com jardim e recreio para as crianças, onde nos habituámos a ir. Por vezes visitávamos um amigo meu, Marco Delogu, um fotógrafo, que tinha ali perto o seu estúdio. Ele não sabia como lidar com pequenas crianças, e eu até acho que tu devias ter medo dele! Em Santa Maria, em Trastevere encontrávamos várias outras pessoas, e tinhas uma companheira de brincadeiras da tua idade, a Lola. Ela vivia na praça e nós íamos a casa dela, uma ou duas vezes por semana, para vocês brincarem. Nesse mesmo Outuno, começaste a frequentar uma escola de Montessori, que ficava perto, sobranceira, as termas de Caracalla, um lindo lugar. Gostavas de estar aí, e rapidamente, rodeada apenas por crianças que falavam italiano, também aprendeste a língua. Com 2 anos e meio, falavas e bem, Inglês, Português e Italiano. E todas igualmente bem. Eu até tinha inveja!

E assim é. Por ora, ficaremos aqui. Mais tarde retornarei a contar-te mais coisas.

Esta semana vou á India, e enviarei algumas imagens de lá.

Espero que o Outuno em Lisboa seja bonito como eu me lembro dele. E espero que estejas feliz e bem na escola. E espero verdadeiramente ver-te muito em breve.

Amo-te, Clara

Teu pai,


Doing push-ups with Daddy (I do 80 these days)

clara9crpdc CCClara climbing a slide in Roma

clara3crpdc CCPlaying football in Roma

clara22crpdc CCClara in the evening, Roma

Amo-te, Clarinha.  Muito.

[Posted in Seoul after returning from  Kolkata, November 25, Thanksgiving in America.  Many thanks to Rui in Lisboa.]

Dog drawing by Jon for ClaraPainting by Clara done in Roma

~ by jonjost on November 25, 2010.

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