Mais Snapshots para Clara

•October 13, 2014 • Leave a Comment

DSC07149CSMA few days before leaving Butte.

Cara Clarinha,

On the road, beginning of a long journey.  Left Butte a night ago, stopped to see my friend Swain in Missoula (a writer – Swain Wolfe, you can look him up), who helped me pack up some pastels to send for an exhibition in Almeria, Spain, in January.  And today along the Bitterroot Valley, and into the Salmon River area of Idaho.  Just ate, and next to find a place to sleep in the van.  Here’s some pictures from the day.

Amo-te,

Teu pai, Jon

 DSC07203SMAlong the Salmon River, IdahoDSC07208 CRP SM

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Amo-te, Clarinha!

Mais Cartões Postais para Clara: Até mais, Butte!

•October 5, 2014 • Leave a Comment

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Hi Clara,

In another week I take off from Butte for a long trip – don’t really know how long or to where.  I go from here to Missoula, and then to Salt Lake City, then Phoenix/Tempe AZ, Santa Fe NM, Lincoln NE, and finally, toward the end of November, to Chicago.  I’m going in my new/old (1996) van.  Along the way I’ll be doing screenings of new work – mostly Coming to Terms, and shooting for a huge new film on America – called Plain Songs.  I’ll also shoot lots of photographs, and send them along to you.   More later.

Amo-te.  Teu pai

jon

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3 TIMESAmo-te, Clarinha !

Mais uma lettera para Clara (#17)

•September 21, 2014 • 1 Comment

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Querida Clara
O Verão aproxima-se do fim, e suponho que te prepares para a escola. Imagino que tenhas estado algum tempo na praia, em Cabanas. Espero que tenhas tido óptimos momentos independentemente dos locais onde possas ter estado. Tenho ficado em Butte, um pouco mais preguiçoso do que de costume: terminando dois novos filmes que enviei a festivais, algum trabalho fotográfico, tocando algumas músicas, e ultimamente um pouco de pintura. Em breve irei para Glacier filmar durante alguns dias, e depois para Montreal, durante 4 dias, e em Outubro começo uma longa viagem para exibir filmes, fazer algum dinheiro, e começar a filmar um longo ensaio sobre a América, Plain Songs. Levarei dois anos ou mais e fá-lo-ei em conjunto com Marcella. Por enquanto vou para Salt Lake City, Phoenix Arizona, Santa Fé, NM, Lincoln, Nebraska, e finalmente para Chicago, e depois talvez para a Europa, para alguns festivais. Talvez passe por Lisboa se tal se proporcionar.

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E agora, continuando a minha história com a tua mãe. Como disse na última carta, começámos a viver juntos no final da Primavera de 1995, em Lisboa. Por um tempo ficámos na Casa de São Mamede, não muito longe de onde vives agora. Mais tarde mudámo-nos para um apartamento antigo na Graça, com uma longa varanda. Foi aí que comecei a experimentar pintura e desenhos, algo que tinha vontade há bastante tempo, enquanto Teresa se ocupava com tudo o que é necessário depois de se concluir um filme. Lembro-me de a acompanhar ao Festival de Veneza daquele ano, onde Maria de Madeiros ganhou o prémio de Melhor Actriz com a interpretação em Três Irmãos. A tua mãe já estava ocupada a pensar no próximo filme, Os Mutantes. Nesse Outono, depois do festival, mudámos para Londres, onde Teresa trabalhava no argumento, e eu em simultâneo, pintava e escrevia também um argumento. Por algum tempo vivemos numa área conhecida como “Pequeno Portugal” (Little Portugal), perto de Portobello, em Londres, e, em seguida, fomos para um grande apartamento agradável na Praça Wilmington.   Comecei a ir a museus fazer esboços, e por vezes a tua mãe acompanhava-me, dado que apesar dela ser cineasta, as artes visuais, eram algo novo para ela.

Três-irmãos_EDITMaria de Madeiros in Tres Irmaos

 

Teresa encontrou um produtor, um francês chamado Jacques Bidou, que morava em Paris. Recebi então uma oferta para fazer um filme para a exposição de artes Dokumenta, que se realiza uma vez a cada cinco anos em Kassel na Alemanha, e que é significativamente um dos grandes acontecimentos no mundo das artes. Ofereciam-me um milhão de dólares para fazer o que eu quisesse. A responsável da exposição desse ano, uma mulher francesa, aparentemente famosa no mundo das artes, visitou-nos, usando óculos grossos como o fundo de uma garrafa de Coca-Cola e seria quase cega. Deveria ter entendido nisso um “mau sinal”, mas na época não me apercebi.

Depois do Inverno em Londres, fomos para um sitio perto de Aberdeen, onde eu pesquisava para o filme que pensava apresentar na Dokumenta. Teresa trabalhava no argumento. Depois fomos para Portugal passar um mês em Cabanas. Aí foste concebida. A tua mãe foi á farmácia local – local que recordo vividamente – e comprou um pequeno teste de gravidez.

eco1crpdClara, Nov. 28, 1996

Urinou para uma tira de papel e esperámos. A cor certa apareceu, olhámo-nos e exclamámos: “Sim!”.  Eu tinha 53 anos e a tua mãe 29.
Nessa altura a nossa relação foi aceite pela família da tua mãe, embora fosse claro que era um pouco estranha a nossa diferença de idades. Marília e Alberto, Joana e Manuel todos me aceitaram, todos sabendo que tinha sido Teresa a despoletar o interesse, e não o caso de um homem mais velho a aproveitar-se de uma pessoa mais jovem.

Julgo que todos se impressionaram com o facto de eu ter cumprido pena prisional ao invés do serviço militar compulsivo, bem como pela minha carreira cinematográfica – na altura estava com uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, e era muito respeitado nesse pequeno mundo.

Então, eles, a tua família, e os amigos de Teresa, todos me acolheram em família, incluindo Serge Treffaut, João Pedro Rodrigues, Vera Mantera, Inês e Maria de Madeiros, e Vasco Pimental. Todos eles se tornaram meus amigos, e, no caso de Serge, João Pedro, Vera e Ines, trabalhei com eles ou ajudei-os no seu trabalho.

Eles e mais alguns, constituíam um grupo solidário de amigos – fui disso advertido por um outro amigo, um italiano que durante algum tempo foi director do Festival de Veneza, e que lhes chamava a “máfia de Lisboa.”, como forma de os descrever como um grupo fechado, protectores uns dos outros. Aprenderia mais tarde ás minhas custas sobre esta mesma realidade.

No mesmo verão, o teu avô Alberto, pai de Teresa, estava gravemente doente. Tinha ido no início de 1996 para Angola, supostamente para auxiliar o governo local. Na verdade, ele era um alcoólatra grave. Desconheço se sempre foi assim, embora suspeite que sim. Ou então, ao verificar o colapso da então União Soviética, o seu espírito também desabou, dado a sua fé no “comunismo” ter sido devastada. No ano em que o conheci um pouco mais, oferecia-me sempre algo para beber, como ele dizia “uma bebida forte.” Whiskey normalmente. Recusava, não querendo encorajá-lo e por ver que tinha um problema com a bebida. Ninguém da tua família fazia nada para desencorajá-lo de tal adição, e o teu tio Manuel parecia quase pretender que ele bebesse mais, sempre disponível para lhe encher o copo. Lembro-me do Natal de 1994, no apartamento de Marília e Alberto perto de Vila Franca de Xira, e o teu avô ficar tão alcoolizado que literalmente caiu para debaixo da mesa de jantar, sendo capaz apenas no decorrer dos dias seguintes de sair da cama por breves minutos. Ninguém na família tentou evitar que ele continuasse a beber. No mês seguinte, ele partiu para Angola, onde eu imagino que se tenha sentado num quente quarto de Hotel e assim beber até morrer.

marilia_vilaverde_cabralMarília Villaverde Cabral

Portuguese_Communist_Party_official_symbol
De volta a Lisboa, a tua avó Marília tinha ao mesmo tempo um caso amoroso com um dos seus camaradas na sede do Partido Comunista Português, onde trabalhava. Chamava-se Grillo, esse amante, e parecia quase cego. Os filhos de Marília não pareciam aprovar tal relacionamento. No final da primavera de 1995 Alberto regressou a Lisboa, gravemente doente e hospitalizado. Tendo eu estado perto de algumas pessoas quando estas morriam, adverti a tua mãe que se deveria preparar para a morte dele. Na época, ela rejeitou esses pensamentos. Marília visitava-o às tardes, e depois ia para o apartamento do Sr. Grillo. Foi-me dito que a semana antes de morrer ou assim, ele foi informado de que Teresa estava grávida e que tu te encontravas no caminho para as nossas vidas. Disseram-me que a sua resposta foi: “Oh, Jono!”

Alberto morreu a 19 Agosto 1996. Marília passou o dia junto do corpo de Alberto e depois no cortejo até ao cemitério dos prazeres, repleto de figuras comunistas e jornalistas, e eu acompanhei esse momento, junto de tua mãe e família. Um mês depois a tua avó mudava se para junto do sr Grillo. Foi uma morte conveniente para ela. Talvez o mencionado desinteresse da família em auxilia-lo tivesse pois uma razão de ser, apesar de ao mesmo tempo os filhos de Marília não parecerem felizes com isto.

 

Prazeres_cemiterioCemitério dos prazeres

Um amigo em Roma, tendo conhecido Teresa, e tendo visto três dos seus filmes, comentou-me que pensa ter existido alguma história bastante infeliz na família, talvez abusos sexuais, o que pode explicar factos que eu observei. Claro que eu não sei, nem ninguém da família me mencionou nada.

Escreverei de novo quando o tempo me permitir – em um dia partirei para Montreal para uma curta viagem e duas semanas depois irei na minha carrinha numa longa viagem, a tal que me poderá levar á Europa em Dezembro.

 

Julgo ser este o ultimo ano antes de ires para a Faculdade, se for isso o que tu desejas. Espero que aproveites e gostes do tempo que por aí vem, e que tenhas sucesso nos teus estudos ou no que tu queiras fazer. A vida vai abrir te muitas portas e espero ardentemente que possas realizar tudo o que sonhes.

Estou sempre pronto para te ver, assim que tu queiras, e possas.
Amo-te

Teu pai
jon

PS: Caso queiras saber um pouco mais acerca deste tempo, podes ir ás cartas que comecei em 2009, aqui:

http://paginasparaclarinha.wordpress.com/2009/09/21/letter-4-para-clara/

 IMG_7843FSMWatercolor, 1997

 


Dear Clara


Summer is drawing to a close, and I suppose you are preparing for school.  I imagine you had some time on the beach, down in Cabanas.  I hope you had a good time there and where ever else you might have been.  I’ve been in Butte, being a little lazier than normal:  finishing two new films which I just sent off to festivals, some photography, practicing a few songs, and now rather late, some pastel work.  Shortly I will go to Glacier to shoot for a few days, and then later to Montreal for 4 days, and in October a long trip to show films, make some money, and begin seriously to shoot a long essay film about America, Plain Songs.  That will take two years and more and I will be doing it with Marcella.   For now though I’ll go to Salt Lake City, Phoenix Arizona, Santa Fe, NM, Lincoln, Nebraska, and finally to Chicago, and then I suspect to Europe for several festivals there.  Perhaps I’ll come to Lisboa too if this all happens.

pes_582266Teu mai,circa 1997


And now to continue the story of your Mother and me.  As said in the last letter, we began living together in earnest in late Spring of 1995, in Lisboa.  For a while we stayed at the Casa de São Mamede, not far from where you are living now.  We later moved to an older apartment in Graça, one with a long outdoor porch.  There I started to seriously try my hand at painting and pastels, something I had long wanted to do, while Teresa busied herself with what one must do after finishing a film.  I recall going with her to the Venice Festival that year, where Maria de Madeiros won Best Actress for her role in Tres Irmaos.  Your mother was already busy thinking of her next film, Os Mutantes.   That autumn, a bit after the festival, we moved to London, where Teresa worked on her script, and I also worked on one, and kept on doing pastels.  For a while we lived in an area called “Little Portugal” near the Portobello area of London, and then moved to a large nice apartment on Wilmington Square.   I began going to museums to sketch, and learn, and sometimes your Mother would come along – the visual arts were, despite her being a filmmaker, something new to her.  

sketch15smJoana and Teresa

Your mother found a producer for her film, a Frenchman name Jacques Bidou, based in Paris.  I received an offer to do a film for the arts exposition Dokumenta, a once every five years affair in Kassel Germany, and one of the biggest such things in the arts world.  They offered me a million dollars to do whatever I wanted.  The head of the exposition that year, a French woman apparently famed in the arts world, came to visit us, wearing glasses as thick as the bottom of a Coke bottle, and clearly nearly blind.  I should have understood this was a bad sign, but at the time I didn’t perceive this.   

4095383758_a8bda114ccTeresa and your father in happier times

After the winter in London, your mother and I went for a month to a place near Aberdeen, where I was researching the film I thought to make for Dokumenta.  Your mother worked on her script.  Afterwards we went to Portugal, to spend a month in Cabanas.   There you were conceived.    And there your mother went to the local pharmacy – a place I can still clearly remember – and bought a little pregnancy test kit.  She pee’d on a little strip of paper, and we waited.  It turned the appropriate color, and we both looked at each other, and both said “yes.”   I was 53 and your mother was 29.

 

LUZ beach boyCabanas, 1997, from Nas Correntes de Luz da ria Formosa


In this time our relationship was accepted by your Mother’s family, though there was a clear sense that it was a bit odd, the difference in our ages.  Marília and Alberto, Joanna, and Manuel all accepted me, I think all knowing that it had been Teresa’s pursuit and interest, and not a case of an older man taking advantage of a much younger person.  I think they were very impressed that I had gone to prison instead of into the military, and also with my career as a filmmaker – at the time I’d had a retrospective at the Museum of Modern Art in NY, and was in that small world much respected.  So they, and Teresa’s friends, all took me into the family – including Serge Treffaut, Joao Pedro Rodrigues, Vera Mantera, Inez and Maria de Madeiros, and Vasco Pimental.  They all became my friends, and in the case of Serge, Joao Pedro, Vera and Inez, I worked with them all or helped them in their work.  They, and a few others, were all a very tight group of friends – whom I had been cautioned by another friend, an Italian who for some time was director of the Venice festival, were a “Lisbon mafia.”  To say they were a closed group, highly protective of each other, in a way working as a group.   I was to learn later how true this was.

sketch8smSerge Treffaut

In the same summer, your grandfather Alberto, Teresa’s father, was seriously ill.  He had gone early in 1996 to Angola, supposedly to help the government  there.  In truth he was a serious alcoholic.  I don’t know if he had always been so, though I suspect so.  Or perhaps, I think  when the Soviet Union collapsed, his spirit also collapsed as his faith in “communism” was devastated.  In the year I had to know him a bit, he would always offer me something to drink, as he said “some hard liquor.”  Whiskey usually.  I declined, not wishing to encourage him and seeing he had a problem with drinking.  None in his family did anything to discourage him from his habit, and your Uncle Manuel seemed almost to encourage him, always taking Alberto up on another glass.   I recall Christmas of 1995 being at Marília and Alberto’s apartment near Vila do Franca Xira, and your grandfather getting so drunk he literally fell under the diner table, and was able for the next days only to come out of bed for a few minutes for obligatory festivity things.  None in the family said a thing or tried to help him stop drinking.  The next month he left for Angola, where I imagine he sat in a hot hotel room and in effect drank himself to death.

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Back in Lisboa your grandmother Marília was, at the same time, having an affair with one of her comrades at the offices of the Portuguese Communist Party, where she worked.  His name was Grillo, and he seemed nearly blind.  Marília’s children did not seem to approve of this.   In late spring of 1995 Alberto returned to Lisbon, seriously ill and hospitalized.  Having been around a handful of people when they were dying, I cautioned your mother that she should prepare herself for his death.  At the time she dismissed these thoughts.  Marília would go to visit in afternoons, and then go to Mr. Grillo’s apartment to stay.  I was told that the week before he died or so, he was informed that Teresa was pregnant and that you were on your way into our lives.  I was told his response was, “Oh, Jono!” 

Alberto died on August 19, 1996.   Marília spent the day with Alberto’s body and then the large courtage wended its way to Cemeterio do Prazers, full of Communist stalwarts and journalists, and I walked along, with your mother and family.   A month later your grandmother Marilia moved in with Mr. Grillo.  It had been a convenient death for her.  Perhaps the family’s disinterest in helping him had some reason, though at the same time Marilia’s children did not seem so happy with this.

 Prazeres-cemetery-lisbon-8

Prazeres Skulls-1


A friend of mine in Rome, having known Teresa a bit, and having seen three of her films, commented to me that she thought perhaps there was some very unhappy story within the family, perhaps sexual abuse, which might explain what I observed.  Of course, I don’t know, nor did any of the family ever mention it to me. 

I will write again when time allows – in a day I am off to Montreal for a short trip, and two weeks later I will take off in my van for a long trip, one which may take me to Europe in December.

I think it is your last year before you will go to college if that is what you want to do.  I hope you enjoy the coming months and year, and are successful in your studies and whatever else you choose to do.   Life is about to open many doors for you, and I hope you can fully realize for yourself what you want to do.
I will be ready to see you as soon as you wish, and are able to do so.

Amo-te

Teu pai
jon

PS: if you wish to know a bit more of this time, you can go back to the letters I began in 2009, here: 

http://paginasparaclarinha.wordpress.com/2009/09/21/letter-4-para-clara/

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Amo-te, Clarinha!

Mais Cartões Postais para Clara: Mais Montana!

•September 5, 2014 • Leave a Comment

 

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DSC06467Bowman Lake, Glacier ParkDSC06436

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DSC06306Near Kalispell, the place I lived in 1971-6DSC06504Glacier ParkDSC06522

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I am back in Butte now, after a little trip to shoot a film, a long single-image one of Bowman Lake.  It is almost done – 2 hours and 24 minutes.  I am writing the promised letter now and will have it sent in a week or so.  Amo-te, Clarinha.

Teu pai, jon

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ALL MATERIALS BOWMAN.Still017Frames from the film, Bowman Lake

DSC06528Cloud burst on the way to Butte

Mais Cartões Postais para Clara: Montana!

•July 21, 2014 • Leave a Comment

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In the last weeks I’ve been in Butte, taking a few short trips to places nearby.  The Big Hole Valley, Bannack, the Wise River, and elsewhere.  Montana is a big place, with hardly any people.

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Amo-te, Clarinha!  Soon another letter.  I hope your summer is as beautiful as it is here in Montana!

Teu pai, jon

Mais Snapshots Para Clara

•July 4, 2014 • Leave a Comment

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DSC05147ccrpSMJuly 3rd, Butte, Montana

Hi Clara,

I am back in Butte – working on some new films, photography, painting and trying to relax a bit.  Amo te!

Teu pai,

Jon

Uma lettera para Clara, (Berlin)

•June 20, 2014 • Leave a Comment

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Querida Clara
Tenho esta carta prometida há meses-masviagens, que parecem quase constante, têm-me deixado pouco tempo. Aqui em Berlim, finalmente tenho tal tempo.

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Tens agora 17 anos e alguns meses. Quase uma adulta. É o momento de saberes algumas coisas sobre a tua família – teu pai.  Imagino que desde que saíram da nossa casa em Roma – quando fos te sequestrada por tua mãe– e se ela não mudou radicalmente de personalidade, que, nunca tenhas ouvido falar a meu respeito.  Eu estaria “eliminado”, tanto quanto lhe dizia respeito, da sua vidae dos seus.

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Quando morávamos juntos, vi-afazer isso com outras pessoas-amigos de longa data que se de alguma forma diferiam com ela em algo, eram simplesmente cortados da sua existência.  Claro que é possível ela ter dito algo a meu respeito, mas duvido.  Se o fez, assumo que apenas possa ter dito coisas erróneas, falsas, e nada mais.  Mas duvido – a maneira mais provável dela fazer as coisas é “fazer-me desaparecer”.  Mas, como bem sabes, existo, enunca me fui embora, fui agressivamente afastado por Teresa, com a cooperação do sistema judicial de Portugal.

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Entendo assim, que deves saber a história a respeito de mim e de Teresa, que é afinal de contas, a história de como vieste a existir. Vou-te assim contar a “nossa” história.

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Conhecemo-nos num pequeno festival em Dunquerque, na costa noroesteda França, em 1991, onde ela estava com o seu primeiro filme O Idade Maior. Eu acompanhava a minha 12ª longa-metragem, Todos os Vermeers em Nova Iorque. Ela tinha 25 anos e eu 48. Num jantar para todos os cineastas ficámos perto um do outro – sendo que mais tarde me disse que no início não gostava de mim – mas ao longo do jantar, ela mudou de ideias.  Eu, honestamente não me lembro de reparar nela.

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Na época, ela morava com Vasco Pimentel, teu amigo no Facebook, e que eu conheci alguns anos antes, quando em Portugal filmava algo sobre Raul Ruiz. Não me lembrose na altura eu vivia com alguém, embora logo depois tenha tido um relacionamento com uma mulher em San Francisco.  Após o jantar, Teresa falou comigo, e começou o que acabaria por ser muito mais do que dois anos em busca de mim.  Em retrospectiva, devo dizer que foi bastante obsessiva.

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No ano seguinte, depois de nosso encontro em Dunquerque, Teresa contatou-me, por uma razão ou outra, um sem número de vezes. Em 1992, quando eu estava hospedado em Berlim por um curto período, visitou-me supostamente para saber se eu estaria disposto a fazera câmera em seu próximo filme, Três Irmãos.  Ela fico uno mesmo lugar que eu, o atelier deum escultor nazi no qual eu permanecia através de uma fundação de arte.  Na altura, “não fizemos nada,”  e ao sair, disse-me, falando para si mesma: “Que estúpida que sou.”  Não sabia na épocao que isso significava. Irei noutra altura, enviar-te algo que escrevina época sobre tudo isso. Após esta visita, Teresa escreveu-me umacarta, explicando-me o que ela queria dizer: “que me amava”. E que se sentia estúpida por não ter dito tal em Berlim.

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Mais tarde, visitei Lisboa, para fazer uma filmagem, e estava com Wendy, a mulher com quem eu vivia na época.  Teresa fez-se muito presente, e se bem me lembro emprestou-nos o seu automóvel (ou seria do Vasco?).  Na época, apenas parecia pretender auxiliar e ser, mas mais uma vezao olhar para trás, parece mais do que “focada.”

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Então, mudei-me para Roma, em 1993, tendo no meu aniversário de 50 anos decidido que se não fizesse as coisas que queria fazer-e eu tinha muita vontade deviver em Roma – iria morrer a pensar nisso.  Vivendo na Europa, Teresa contactou-me mais, e em algum momento da primavera de 1993, ela urgentemente pediu-me para ira Lisboa, para vê-la enquanto filmava Três Irmãos.  Ela era tão insistente que eu sucumbi, e fui vê-la.  Quando cheguei, encontrámo-nos algumas horas depois das filmagens, perto da estátua de Pessoa, no Chiado.  Quando se aproximou de mim na rua, viu-me “atarracado” e pouco atraente.  Mas, ainda assim, fomos para o Hotel Borges e fizemos amor pela primeira vez.

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Ela ainda morava com o Vasco, e parecia gostar deprovocá-lo, tendo-me perto.  Fez-me desconfortável.  Minha memóriaé um pouco nebulosa, mas acho que fiquei uma semana ou assim, e depois voltei para Roma, onde Teresa em novo contacto telefónico, implora-me que regresse a Lisboa.

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Fiz isso em Junho ou Julho, depois dela terminar a rodagem do filme, e passámos a maior parte do Verão juntos, no final do qual decidimos que o relacionamento não estava a “funcionar,” tendo eu voltado a Roma.

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Lá encontreio dinheiro para fazer um filme, e também encontrei uma nova namorada. Na primavera seguinte, em 1994, quando ela terminou seu filme, depois de estar em constante contato comigo por mais de 6 meses, pediu-me de novo para ir a Lisboa.  Tinha acabado de filmar o meu filme e fui para Lisboa, e fiquei-tendo dito à minha namorada de antemão que isso poderia acontecer. Foi então que começámos a viver juntos.

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Contarei a próxima fase desta história noutra carta. Mais tarde, espero que em privado, mostrararei algumas coisas que escrevien tão. Olhando para trás, vejo que a obsessão com um só objetivo que a tua mãe demonstrou então, era um sinal, não de amor, mas, talvez, de um desequilíbrio psicológico/mental. Como escrevina quela época, já tinha notado algo assim, mas não prestei atenção suficiente. Se tivesse sido mais sábio, poderia ter-me afastado, mas o coração é um instrumento imprudente e pouco dado a sabedoria.  Por outro lado, se tivesse recusado as pressões da tua mãe, não estarias aqui. Eeu sou – por mais dor que nos tenha sido imposta aos dois  – extremamente feliz por existires.

Mais na próxima carta.

Amo-te, Clarinha, e tem um Verão maravilhoso.

Teu pai,
Jon

4095383758_a8bda114ccIn other days (1995-6)

 

Dear Clara
I have been promising a letter for months – but travels, which seem almost constant, seem to leave little time. But, here in Berlin I will make time.

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You are now 17, and some months. A young adult almost. And it is time you knew some things about your family – including your father. I imagine that since you were taken from our home in Rome – “kidnapped” by your mother – if she has not radically changed her personality, that within the house you simply never heard of me. I was just erased, so far as she was concerned, from her life and yours. When we lived together I saw her do this with other people – long time friends who somehow differed with her about something were simply cut from her life. Of course it is possible she spoke of me, though I doubt it. If she did then I’d have to assume she had bad things to say and nothing else. But somehow I doubt it – her way of doing things would most likely simply be to make me disappear. But, as you well know, I do exist, and never went away: I was aggressively kept away by Teresa with the cooperation of the juvenile court system of Portugal.

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So I think you should know about Teresa and I, which, after all, is how you came to exist. So I will tell you “our” story.

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We met at a small festival in Dunquerque, on the northwest coast of France, in 1991. She was there with her first film O Idade Maior; I was with my 12th long film, All the Vermeers in New York. She was 25 and I was 48. At a dinner for the filmmakers we sat not quite opposite each other at a long table, and she told me later that at first she did not like me, but over the dinner she changed her mind. I honestly don’t recall noticing her at all. At the time she was living with Vasco Pimental, your friend on Facebook, and in life, and whom I had met some years before when in Portugal filming something about Raul Ruiz. I don’t remember if I was living with someone at the time though shortly after I did have a relationship with a woman in San Francisco.

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After the dinner Teresa talked with me, and began what turned out to be a more than two year long pursuit of me. I would, in hindsight, have to say it was rather obsessive. In the following year , after our meeting in Dunkerque, Teresa contacted me, for one reason or another, a number of times. Inn 1992, when I was staying in Berlin for a short while, she came to visit, supposedly to inquire if I would be willing to do the camera on her next film, Tres Irmaos. She stayed in the same place I did, the studio of a long ago Nazi sculptor I was living in through an art foundation. We didn’t then “do anything” and as she left she said to me, speaking of herself, “How stupid I am.” I didn’t at the time know what it meant. I will, some other time, send you something I wrote back then about all of this. After this visit, your mother wrote me a letter, and explained what she meant: she wrote that she “loved me.” She felt she was stupid because she hadn’t said so in Berlin.

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Later I visited Lisbon, to do a screening, I think, and was with Wendy, the woman I was living with at the time. Teresa made herself very present, and as I recall loaned us her car (or was it Vasco’s?). At the time it merely seemed helpful and generous, but again in looking back, it appears more focused. I then moved to Rome, in 1993, having on my 50th birthday decided if I didn’t do the things I wanted to do – and I had long wanted to live in Rome – I would die without having done them. Living in Europe, Teresa contacted me more, and sometime in the spring of 1993, she urgently asked me to go to Lisbon, to see her while she was shooting Tres Irmaos. She was so insistent that I succumbed, and went to see her. When I arrived, she met me a few hours late after her shooting, near the bronze of Pessoa in the Chiado. As she approached in the street she looked to me “dumpy” and unattractive. But still we went to the Borges Hotel there and made love for the first time. She was still living with Vasco, and seemed to enjoy taunting him by having me there. It made me uncomfortable. My memory is a bit foggy, but I think I stayed a week or so, and then returned to Rome, where Teresa called me again and again, begging me to return to Lisboa. I did later in June or July, after she had finished shooting the film, and we spent most of the summer together, at the end of which we decided the relationship wasn’t “working” and I returned to Rome. There I found the money to shoot a film, and also found a new girlfriend. The next spring, in 1994, as she finished her film, after being in constant contact with me for more than 6 months, she begged me to go to Lisbon. I had finished shooting my film and I did go to Lisbon, and I stayed – having told my girlfriend in advance that it could happen. It was then we began to live together.

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I will tell you the next phase in another letter. Later, hopefully in private, I will show you some things I wrote then. Looking back, I can see that the single-minded obsessiveness which your mother demonstrated then was a sign, not of love, but perhaps of a psychological/mental imbalance. In what I wrote at that time, I had already noted something like that, but I discounted it. Had I been wiser I might have turned away, but the heart is a reckless instrument and is little given to wisdom. On the other hand, had I turned down your mother’s pressures, you would not be here. And I am – however much pain it has imposed on both of us – glad you exist.

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More in the next letter.

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Amo-te, Clarinha, and have a wonderful summer.

Teu pai,
jon

 

 

For some other thoughts on these times, see this blog post written in 2011:

http://cinemaelectronica.wordpress.com/2011/01/09/festivities-in-rotterdam/

 

 

 

autoresjonjost476

clara

35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/São Paulo InternTeresa in Venice with Agua e Sal, in which you played a kidnapped child1012244_693226637358469_1565378008_nAmo-te, Clarinha!

 
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